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10/08/2008 19:13
NOVO ENDEREÇO
Não deu mais pra ficar aqui. Agora as coisas estão nesse endereço, ó: http://cronicasabsurdo.wordpress.com/
enviada por Ricardo
09/08/2008 10:51
Quando chove assim a gente fica melancólico. Todo mundo fica meio devagar, quieto, dando a impressão que só quer ficar em seu canto. Só sai na rua quem precisa. Quase todo mundo precisa e quase todo mundo queria ficar.
Mas é bom também. Quando chove assim, a gente vê as pessoas olhando para os pingos que caem, sozinhas, sem dizerem nada. Elas ficam pensando, pensando.
Em que será que pensam? Talvez pensem somente no trabalho que vai dar voltar para casa com esse tempo, mas talvez pensem em alguma coisa mais interessante. Talvez pensem na vida ou filosofem sobre coisas sem importância como os círculos que cada pingo forma ao cair nas poças ou onde foi parar aquele velho guarda-chuva perdido..
Crianças gostam de ficar na janela olhando para a rua molhada com os narizes embaçando os vidros. Não podem brincar lá fora. Mas agora nem todas as crianças brincam lá fora, mesmo quando o sol brilha.
O dia parece que passa lentamente, calmo, enquanto o céu chora. O cinza do céu não deixa a gente ver onde está o sol, parece que o tempo não passa. Mas passa.
Quando chove assim dá saudades. Saudades da cama, do cobertor e do tempo em que a gente podia ficar no sofá comendo bolachinhas e tomando leite. Saudades de quando o tempo determinava a nossa vida. Agora ela passa sobre o tempo seja ele qual for.
Quando chove dá saudades, saudades de nada.
enviada por Ricardo
04/08/2008 23:48
A diferença fundamental entre Deus e os advogados é que Deus tem a absoluta e plena consciência de que não é advogado.
enviada por Ricardo
04/08/2008 23:47
As segundas-feiras voltaram. Depois de um pequeno intervalo aqui estão elas de novo para me atormentar.
Eu estava tão bem sem elas... E agora parece que voltaram um tanto mais vazias, como se não fossem as mesmas de sempre. Não sei... Nem mudaram tanto assim, foi bem menos do que eu pensava. Mas as coisas ainda não estão exatamente em seus lugares.
Há o pequeno consolo do futebol mais tarde, mas ainda não me convenci de que será suficiente. Como vou saber?
Mas não tem jeito, elas voltaram e eu tenho que lidar com elas, assim como as terças, quartas, quintas e sextas. Se bem que as sextas a gente tira de letra.
E além de tudo hoje me aparece uma pedrinha no sapato bem na hora do almoço. Mas deixa pra lá.
É só outra segunda-feira.
enviada por Ricardo
28/07/2008 11:45
Sabe onde está, mas não pega. Fica lá... Se vier, veio. Senão, fica lá no mesmo lugar. Às vezes dá, às vezes não. Pinga de cá, pinga de lá...
Não é fácil, nunca foi e nem será. Não cai do céu nem brota do chão, mas quem sabe não mama se chorar? Complicado assim.
Às vezes bastava levantar a cabeça e olhar para frente, assim de leve, só para parar de andar em círculos. Ai até pode ser que tropece em alguma coisa mais interessante. Mas se ficar em círculos, só vai aumentar o buraco na lama onde sempre caminhou.
Estranho, parece que o tempo não passa, quer dizer, passa, mas nada acontece. Só a poeira vai se assentando e se amontoando cada vez mais. Aí tem que soprar. Soprar todo esse pó. Tem que limpar tudo, mas não vai adiantar varrer da porta pra fora, tem que começar por dentro. E o pó vai voltar, então tem que varrer de novo, não vai dar para parar. Mas se não for até lá, não vem. Fica lá no mesmíssimo lugar. Ninguém vai trazer. Tem que buscar.
Sempre soube onde está, mas tem que pegar. Senão nunca vai ter.
enviada por Ricardo
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