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05/12/2006 19:27
Há dias em que o avesso das coisas nos atinge. Os astros em desalinho provocam reações no cosmo muito além da nossa compreensão, mas que nos afetam no sentido mais empírico possível. Sem explicação nos sentimos como que andando no contra fluxo da multidão sem a segurança de quem sabe para onde vai.
Uma massa de coisas, sons, imagens, luzes e vozes se misturam incompreensíveis à nossa volta como uma avalanche que desliza montanha abaixo soterrando nossa consciência e entorpecendo a mente que já não distingue bem seu próprio estado.
Turvado pelo movimento o pensamento em outra dimensão não alcança a realidade de si próprio. O tempo passa em outra velocidade, em outro ritmo e as coisas mudam de lugar aleatoriamente. A lógica se distorce e o que normalmente faz sentido torna-se inexplicável.
Uma embriaguez involuntária nos domina como se o álcool viesse do ar e através da respiração desoxigenasse nosso sangue espalhando partículas do irreal por todo nosso corpo desconectando nos de Gaia e nos arremessando ao acaso sem nos permitir atingir qualquer destino nos tornando intrusos em nosso próprio habitat, ao mesmo tempo apartados e presos ao que sempre fomos.
É uma psicodelia-bad-trip uma viagem às profundezas do inconsciente em momentos em que só há permissão para a lucidez e sobriedade. Não há abrigo, não há ponto de fuga. São buracos no oceano onde a chuva cai formando redemoinhos que nos tragam em círculos eternos. É só um retrato surrealista de uma vida por si só já bastante surreal. Uma revisão pessimista e evasiva de algo que já foi dito. Um teste para a compreensão e incompreensão de quem olha de fora.
Só o final do ciclo restabelece a harmonia entre as energias do universo e dos chakras. Força bruta é como nadar em areia movediça, concentrar-se é ilusão. A tormenta só passa quando sua hora é chegada. Nada pode aplacar a ira da natureza. Só nos resta esperar.
enviada por Ricardo
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