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05/11/2007 23:37
Cinzento, lá fora, como sempre foi. Melhor assim, ninguém mais agüentava aquele calor. Acho o centrão mais poético com chuva. Menos camelôs, menos pombos, menos gente...
Computador, fones de ouvido e melancolia...é uma boa maneira de se estar sozinho no meio de tanta gente. Graças aos deuses não tem telefone aqui. O ruído repetitivo e insuportável é desumano com quem tenta se concentrar.
Tudo mais quieto com as temperaturas mais baixas. Todos mais calmos sem falar...coisas todas nos seus lugares sem tormentos. Assim, em silêncio é mais fácil ouvir o mundo girar.
Não enxergo o céu daqui. Os prédios altos não deixam. Se eu pudesse ver o céu... cinzento, ou em preto, como eu prefiro, haveria menos peso no ar, menos dificuldade no ciclo eterno dos dias...
Tudo são detalhes, pequenos detalhes que definem todo o funcionamento do universo. Um mero detalhe que borra a perfeição de uma cena. Um mísero traço mal colocado e a pintura do mestre já não é mais digna de figurar entre suas obras-primas.
Às vezes alguma coisa do outro lado da tela, mas muito breve para passar o dia, só um fragmento do mundo que entra pela janela eletrônica. Parece tudo tão melhor lá fora, mas somos escravos aqui dentro. Escravos de nossas próprias vidas. Irremediável. Não há não escravidão. No máximo outro senhor.
And Sir Paul McCartney is singing House of Wax.
enviada por Ricardo
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