Cronicas do Absurdo

10/12/2007 23:58
What Is And What Should Never Be

Finalmente chegou o dia! 10 de dezembro de 2007, data histórica para mim. Em um lance de pura sorte consegui ingresso para o primeiro concerto completo do Led Zeppelin desde 1980! Tirei dinheiro de onde tinha e onde não tinha e estou aqui em Londres mais uma vez. Nem acredito que dentro de instantes eles estarão lá, naquele palco, Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e o DNA Bonham através de Jason, o filho do homem.
Muita expectativa cerca o show, o que será que eles vão tocar, o Page de cabelos branquinhos, o que o Plant vai fazer com as notas altas... enfim, o que será que vai acontecer?
Mas eis que as luzes se apagam e uma atmosfera estranha no ar transporta todos à década de 70. Me surpreendo com minhas próprias roupas coloridas e com meu cabelo que eu jurava ter cortado!
O ritmo marcial em Fá sustenido e logo os agudos inconfundíveis: Immigrant Song. Como no auge da banda essa foi escolhida a música de abertura. “The hammer of the gods, will drive our ships to new lands...” A platéia extasiada não consegue entender como eles poderiam estar tão em forma depois de tantos anos.
Segue Heartbreaker e Page arrasa em um solo incendiário. Para não deixar o ritmo cair, Jonesy senta-se aos teclados e introduz Misty Mountain Hop. Os presentes gritam alucinados: “I really don’t know, oh oh”...
O palco escurece e o lick inconfundível da guitarra puxa Since I’ve been loving you. Plant não arrega uma só nota e Bonham pulsa como um trovão. Jones não se levanta e aciona a Leslie Box para No Quarter. Teclados, guitarras e Theremin. Ninguém mais sabe onde está.
O clima é quebrado com Black Dog. Surge então a famosa Doubleneck e The Song Remains the Same e Rain Song hipnotizam a platéia. Goldtop de volta e temos Moby Dick. Jason honra o nome do pai tocando com as mãos com uma precisão incrível.
Bonham sai do palco e Page e Jones voltam com violões. O de Jonesy o famoso violão de três braços. Primeiro That’s the Way, depois Goin’ to California que me lembra de tudo. Jason retorna Baby I’m Gonna Leave You. Retorna também a Doubleneck. Tangerine e Stairway to Heaven, que eles juravam que nunca mais iam tocar. Perfeita.
Danelectro no palco e Kashmir. Na platéia o silêncio é total. Ninguém acredita no que vê. Muitos choram. Ao último acorde, os quatro agradecem brevemente e saem do palco. Os expectadores levam quase um minuto para voltarem a si e começarem a aplaudir. Zeppelin, Zeppelin começa o coro.
Com o palco totalmente escuro, ouve se os acordes iniciais de Achille’s Last Stand. Novo êxtase nos presentes. E a maior surpresa da noite Travelling Riverside Blues. Novamente eles se retiram.
Mas não poderia ser só isso. Tanto tempo de espera... E eles não decepcionam, voltam arrasadores com Communication Breakdown e Rock and Roll para então saírem definitivamente do palco.
Ninguém fala nada, todos voltam a 2007 a realidade e saem calados para suas casas. No frio londrino eu procuro o caminho do hotel...

“Standing on a hill in my mountain of dreams,
Telling myself it's not as hard, hard, hard as it seems.”




enviada por Ricardo






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