|
09/01/2008 23:56
Depois de meses de cerco e sem alternativa, levei meu exército já um tanto faminto para fora dos muros da cidade. Não tinha escolha, se continuasse lá dentro a fome e a peste dizimariam a população, era só uma questão de tempo. Mas se fosse para morrer que fosse então através da lâmina de uma lança ou o impacto de uma massa.
Lancei impetuosamente minha parede de escudos contra o inimigo que por sua vez também estava desgastado pelo longo cerco e com suas linhas já reduzidas por homens que abandonaram seu exército para pilhar pelos campos.
No primeiro choque me dirigi diretamente a seu líder. Apesar do elmo fechado, podia perceber que era muito jovem. Suas vestes pretas e bem cuidadas indicavam que era rico. Um brasão em seu escudo trazia um céu escuro com pequenas estrelas desordenadas em um desenho um tanto misterioso.
Minha fama de guerreiro invencível me precedia, portanto me lancei diretamente contra ele de escudo e espada e com a viseira do elmo aberta para que ele me reconhecesse.
Talvez sua pouca idade e a aparência de bem nascido me tenha feito subestimá-lo. Ele aparou o golpe de minha espada e chocou seu escudo contra o meu com uma força impressionante. Não consegui derrubá-lo como esperava e senti um olho fechar e meu braço formigar com o impacto. Olhei para trás e percebi que ele sangrava sob o elmo. Tinha sido atingido pela borda de seu próprio escudo no choque.
Neste momento o restante de minhas linhas se chocou com o exército inimigo e ficamos separados pela massa de lanceiros em fúria. Percebi então que ele evitava novo combate direto. Também tinha ficado impressionado com minha força. Em suas poucas batalhas talvez não tivesse enfrentado um guerreiro experimentado como eu era.
Tentava alcançá-lo enquanto derrubava outros que colidiam contra meu escudo como ondas que batem nas rochas, mas ele se afastava. De algum modo sentia um certo alívio com esta situação, o que era novo para mim, mas, por outro lado, ansiava loucamente por enfrentá-lo. A glória de um guerreiro se faz com grandes feitos e não com a lenga-lenga daquele maldito padre que me perseguia por todo lado. Derrotar um guerreiro como este ou até por ele ser morto garantiria honra e prestígio a qualquer um. Ele sabia que o mesmo poderia se dizer de mim, mas mesmo assim me evitava.
O exército inimigo aos poucos começou a bater em retirada pois nosso número superava o deles e levávamos alguma vantagem. O guerreiro de negro gritava e acenava para que seus homens saíssem dali. Então ele abriu a viseira do elmo e me encarou como se dissesse que ainda cruzaria meu caminho nesta vida.
Decidi não desafia-lo naquele momento pois caso eu fosse morto meu exército, que naquele momento. levava vantagem teria seu moral abalado e nossa cidade certamente cairia. Apenas deixei que fosse embora com a certeza de que aquela história não acabava ali.
enviada por Ricardo
Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)
|