|
22/02/2008 18:51
Futebol com a galera.
Algo muito além da compreensão das esposas, namoradas e mulheres em geral, o futebol com a galera é um dos eventos mais importantes na vida de um ser do sexo masculino. É neste momento que o cidadão descarrega todas as suas frustrações e por algumas horas realiza aquele sonho de infância de 98% daqueles que nascem com cromossomos XY.
Certa vez a atriz Maitê Proença descreveu à revista Época o sentimento que ela experimentou ao acompanhar um namorado a uma pelada: inveja. Disse ela que não há nada comparável àquilo no universo feminino. Creio eu que não mesmo.
No futebol com a galera, todo mundo tem vez, já que o pagamento do aluguel da quadra é rateado entre todos. Quem paga, joga. O cara pode até ser ruim que vai jogar, mas assim como no futebol de rua, o grosso tem grandes chances de ir parar no gol.
A divisão das equipes é um ritual. Ninguém quer escolher, aí fica aquela enrolação até que dois decidem tomar uma atitude: Par ou ímpar e vão sendo escolhidos os jogadores, um a um, indo para cada equipe alternadamente. Definidos os adversários, vem a parte de reclamar que o outro time está mais forte. Mais um tempo de discussões até que se resolve começar a partida ou então sugerir que dois jogadores troquem de cores para equilibrar.
As jogadas podem não ser das mais plásticas e bonitas, mas sobra disposição e vontade. Se os profissionais jogassem com uma entrega semelhante, garanto que os jogos seriam muito mais interessantes. No futebol com a galera, rola um amor à camisa, ou melhor, ao colete.
A formação tática é algo como fazer cinco a zero e voltar para ajudar a defesa. Normalmente os times têm mais atacantes que defensores o que ocasiona resultados como 23 x 17 ou 31 x 28. Veja só, muito mais interessante do que um chatíssimo jogo entre a seleção da Escócia e a da Irlanda que com muita sorte acaba em 1 x 1.
Quase nunca tem juiz, o que causa certa controvérsia entre as equipes. A regra geral é reclamou parou. Isso abre espaço para os chatos e cri-cris de plantão ficarem chorando e chiando o jogo todo e ocasiona alguns debates, digamos assim, mais acalorados. Mas faz parte e é permitido, assim como os palavrões e xingamentos. A única coisa que não pode é deixar a discussão sair da quadra. Ali começa, ali termina. Em casos excepcionais, pode ir até o vestiário, mas não mais que isso.
Ao término da partida, vem o mais importante e, em alguns casos, a razão de ser do evento: a cerveja. Ninguém se faz de rogado. Todos os atletas se sentam em volta da mesa e debatem animadamente os lances ocorridos na peleja recém disputada enquanto dão cabo de algumas garrafas. Aí vale utilizar todo o talento para a famosa tiração de sarro. Se tiver um rabugento, vai sofrer, porque a galera não perdoa.
No final todos vão para casa um tanto doloridos e muito satisfeitos e já não vêm a hora de chegar a próxima semana para saírem de casa com a malinha com os apetrechos para o novo quebra-canelas.
enviada por Ricardo
Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)
|