Cronicas do Absurdo

03/07/2008 23:40
O Fluminense perdeu

O Fluminense perdeu porque não estava pronto para ganhar. Jogou na empolgação, com muita vontade e depositando uma excessiva confiança na técnica de seus jogadores, alguns deles realmente muito bons, como Júnior César, Conca e Thiago Neves.
Porém, este clima de “sí, se puede” acabou por fazer com que o time chegasse à disputa por pênaltis absolutamente despreparado para estar lá. Não despreparado tecnicamente. Não sei se Renato Gaúcho treinou pênaltis, acredito que deva tê-lo feito, mas despreparado emocionalmente.
O time das Laranjeiras parecia não ter considerado a possibilidade de ter que decidir o tão sonhado título em cobranças de penalidades, como se a vitória no tempo normal, ou no máximo, na prorrogação fosse absolutamente natural.
O “fantástico’ time do Fluminense pareceu aceitar tacitamente que poderia bater o adversário dentro dos 120 minutos.
Mas não bateu. E o adversário, a guerreira LDU, com um time bem armado dentro de suas possibilidades, e bastante inferior a diversos outros que ficaram pelo caminho na fase de classificação, estava bastante segura das suas limitações e do papel que exerceria naquele jogo. Muito ao contrário do que se esperava, o time equatoriano se mostrou ousado e abriu o placar logo de cara.
Mas o mais interessante no comportamento da Liga não é esse. Não foi possível notar qualquer sinal de desespero ou sequer abalo emocional nos seus jogadores na medida em que o clube carioca foi marcando seus gols. 1x1, 2x1, 3x1 e a LDU continuou a se comportar da mesma forma em campo. O time equatoriano mostrou-se melhor fisicamente, também.
Na hora das cobranças de pênaltis, o Fluminense escalou seus craques para as cobranças e logo no primeiro tiro, o excelente argentino Darío Conca bateu mal e o medíocre Cevallos da LDU defendeu. A partir desse momento, pareceu que a confiança na vitória que viria naturalmente, passou a uma aceitação de derrota inevitável. Thiago Neves, que havia feito uma partida soberba, também desperdiçou sua cobrança. Cícero, o único carioca a marcar, foi para a bola com cara de choro, (!) e a despeito da defesa de Fernando Henrique, o Fluminense perdeu três de suas quatro cobranças e teve que assistir os eficientes equatorianos comemorarem o título inédito.
Muitos vão dizer que o árbitro deixou de dar um pênalti em Washington quando o jogo estava 1x0 para a LDU. É verdade, deixou. Mas deixou também de validar um gol da Liga na prorrogação. E Libertadores é sempre assim. Basta lembrarmos do pênalti, muito mais escandaloso, não assinalado em favor do São Paulo, contra o Velez Sarsfield, ou das lambanças de Márcio Rezende de Freitas no primeiro jogo da final entre Cruz Azul do México e Boca Júniors da Argentina.
O Fluminense perdeu porque chegou aos pênaltis sem acreditar que realmente precisava estar ali. Já os equatorianos, chegaram com absoluta noção do que estavam fazendo. Faltou ao time carioca o “Eye Of The Tiger”, como dizia Apolo, o Doutrinador em Rocky III, até o final. Pênalti não é loteria. É preparo, determinação e sangue frio. Faz parte das regras é a LDU estava preparada para ser campeã. E assim foi.

enviada por Ricardo






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